Lideranças revolucionárias decidem o futuro da Rússia Imperial

 Em 14 de março de 1917, as principais figuras da oposição se reunirão no Soviete de Petrogrado para discutir os possíveis caminhos da Revolução Russa.


Soldados armados carregam um banner com "Comunismo" escrito. Eles estão na rua Nikolskaya, em Moscou (outubro de 1917).


Nesta quarta-feira, dia 14 de março de 1917, algumas das personalidades revolucionárias mais conhecidas da Rússia Imperial se reunirão no Soviete de Petrogrado para discutir os rumos do país. Diante das recentes medidas autoritárias de Nicolau II, é esperado que as lideranças do Partido Operário Social Democrático Russo (POSDR) adotem uma postura firme para que a nação russa possa prosperar novamente, considerando até mesmo a remoção do czar do poder e a reestruturação do governo.

Esta não é a primeira vez que a população demonstra estar insatisfeita com as atitudes do Chefe de Estado russo. Foi durante a Guerra do Japão, muito antes da entrada do Império na Grande Guerra, que o episódio conhecido como "Domingo Sangrento" marcou a história russa por conta de sua extrema violência. Aproximadamente 140 mil pessoas marcharam rumo ao Palácio de Inverno em uma manifestação pacífica, clamando a volta dos soldados e o fim da fome. Entretanto, a marcha acabou resultando no abrir fogo que levou consigo cerca de três mil manifestantes, abalando ainda mais a popularidade do czar e corroborando para a definição de sua imagem como autocrática no imaginário do povo.

Mesmo com as guerras, a fome e a servidão, a população russa permaneceu resiliente em procurar uma solução amena para os conflitos sociais do Império. Porém, após a industrialização estatal a partir da metade do século XIX, que ocorreu de forma atípica em relação aos demais países europeus, ideologias comunistas e anarquistas se difundiram cada vez mais entre a recém formada classe trabalhadora, culminando na criação do POSDR e a consolidação do ideal revolucionário na população russa.

Com o povo receoso acerca de uma possível resposta hostil do Czar, a incógnita quanto ao tipo de ação a ser tomada tende a ter uma resposta igualmente violenta, uma vez que o objetivo final depende da remoção do czar do poder. Embora a intenção seja uma resolução pacífica após tanto sofrimento, diversas das figuras presentes na reunião já se proclamaram dispostas a fazer de tudo em prol do fim da tirania de Nicolau II. Assim, o povo russo entrega às lideranças presentes neste Congresso não somente o futuro do regime czariano, mas as esperanças de prosperidade da sua nação.


Por Louie Bittencourt e Natasha Faria

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