Devemos ficar ou devemos ir?

Representantes do mundo todo enfrentam o dilema de tentar a sorte no espaço ou reparar o planeta arruinado pela guerra.


Foto de diversas pessoas em uma sala de aula. As mesas estão dispostas em forma de meia-lua, com 3 mesas no lado oposto a ela. As pessoas estão vestindo roupas formais e se encaram.


Hoje, no dia 3 de junho de 2092, acontecem as primeiras sessões da Conferência do NovoRio-92 da Assembleia Geral Futurística (AGF). Desde a realização dos primeiros discursos, mostrou-se clara a presença de dois grandes blocos na Conferência. O primeiro é formado por delegações como a Amazon, os Estados Unidos da América do Norte e a União Europeia, que defendem claramente uma política de exploração espacial como única alternativa para a sobrevivência da humanidade. O segundo é composto pelas outras delegações, como o Império Persa, a República Bolivariana Unificada e a União das Repúblicas Euroasiáticas Ecosoviéticas, que clamam pela restauração da Terra, pensando, sobretudo, nas nações que não apresentam poderio econômico suficiente para realizar a exploração espacial.

Depois de uma Agenda peculiarmente produzida sob silêncio absoluto, as delegações se apresentaram mais ativas. Inicialmente motivados pelo discurso da delegação da Amazon de exploração espacial com o uso de capital privado e, depois, com a implementação da liberdade e democracia norte-americana além das fronteiras do espaço, o Império Persa e a República Bolivariana Unificada se mostraram preocupados com a possibilidade do retorno do colonialismo, que poderia exacerbar as desigualdades que refletem, hoje, na impossibilidade da exploração espacial por todos. Recheado de termos como "covarde", "tacanho" e "chocho", o debate se mostrou razoavelmente infrutífero até a intervenção da delegação do Império Maoísta do Meio, apresentando soluções técnicas e propondo o primeiro Documento de Trabalho da Conferência, referente ao retorno da Corte Internacional de Justiça.

Durante a segunda sessão, a República Federativa do Brasil e o Faronato da Arábia, que estavam ausentes até o presente momento, ingressaram no debate de forma turbulenta, sendo recebidos por críticas vindas de delegações como o Império Persa. O Brasil marcou sua presença ao alegar ataques genocidas por parte da delegação representada por Ciro, o grande. O Império foi o grande alvo da última sessão do dia, sendo atacado também pelo Faronato da Arábia, que desconsiderou toda e qualquer fala vinda da delegação persa, sob o argumento de que o país está  escravizando pessoas. O Reino do Rajistão, com o propósito de moderar a discussão, reiterou: “Não vale a pena arriscarmos tantas vidas terrestres por algo incerto. É improdutivo investir recursos no espaço, devemos aplicar nossos esforços para reconstrução da Terra”. 

Por fim, nos últimos minutos de sessão, a delegação brasileira emitiu um comunicado de caráter um tanto quanto acusatório. A nação atribuiu a pobreza existente no mundo ao comunismo, clamando pelo “fim desse mal que tanto assola a humanidade”. O desenrolar destes assuntos inacabados acontecerá no segundo dia de debate, em que as delegações irão empenhar-se para entrar em um consenso sobre a resolução do conflito que determinará o destino da humanidade. Será que algum dos blocos será capaz de abdicar de seus interesses próprios para o bem de toda a comunidade terráquea?


Por Ana Laura Lopes Marczwski e Henrique Piva Corrêa


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