Ataque à sede da ONU deixa 2 mortos e mais de 10 feridos

 Primeiro dia da CNUDH foi marcado por ataques, mortes e debates acalorados.


Foto de diversas pessoas em uma sala de aula. As mesas estão dispostas em forma de meia-lua, com 3 mesas no lado oposto a ela. As pessoas estão vestindo roupas formais e se encaram. No canto esquerdo, há uma mulher de pé apontando falando e gesticulando para as pessoas sentadas.


Hoje, dia 29 de outubro de 1990, iniciou-se o primeiro dia de debates na Comissão das Nações Unidas para os Direitos Humanos (CNUDH). A reunião conta com a presença de diversas representações mundiais a fim de decidir a polêmica questão atual: a homossexualidade. O objetivo principal do comitê é estabelecer e unificar os direitos da comunidade LGBT ao redor do globo. 

A primeira sessão foi dedicada à elaboração da Proposta de Agenda, que contou com pontos como a criminalização da homofobia e a emergência da Síndrome de Imunodeficiência Adquirida (AIDS) e do vírus HIV. Já na segunda sessão, os delegados foram surpreendidos por uma manifestação: os manifestantes cobravam por direitos e respeito em cartazes com dizeres como "Rights to LGBT" (“direitos aos LGBT”) e "Gays are people too" (“Gays também são pessoas”). Pouco tempo depois da chegada dos protestantes, uma equipe da Special Weapons and Tactics (SWAT) chegou ao local e acabou com o protesto de forma violenta. De acordo com relatórios da polícia de Genebra, houve 11 feridos e 2 mortos. A delegação estadunidense buscou defender os atos praticados pela SWAT, alegando que eles haviam agido de tal forma por legítima defesa.

O comitê reagiu ao ataque liberando um comunicado à imprensa que relatava que os presentes lamentavam pelas vítimas, mas que a ação policial foi necessária e legal, já que as manifestações foram interpretadas como violentas e passíveis. Porém, segundo manifestantes entrevistados pelos jornalistas, a manifestação pró-LGBT foi completamente pacífica. Em razão dessa divergência de posicionamentos, as famílias das vítimas entraram com um pedido de investigação no Supremo Tribunal Suíço acerca da natureza dos protestos e da ação policial.

Ainda nessa mesma sessão, ocorreu um debate acerca da Declaração Universal dos Direitos Humanos. A delegada dos Estados Unidos elaborou uma carta para a Assembleia Geral das Nações, afirmando que algumas delegações presentes na Casa teriam proferido discursos repudiando a Declaração, afirmando que ela era muito "ocidentalizada". A carta causou grande impacto no Comitê, mas foi decidido pelos delegados que a pauta deveria ser discutida exclusivamente na Assembleia Geral das Nações Unidas. 

Já no fim do primeiro dia de discussões, o debate foi pautado na construção do primeiro Documento de Trabalho, que fez referência a mudanças nos direitos dos homossexuais. Algumas medidas propostas pelo documento faziam menção à revisão de leis que punem atos homossexuais e à proibição da incitação de ódio e violência a indivíduos homossexuais. Foi ressaltado que este documento, no entanto, não concorda com a promoção da homossexualidade.

Espera-se que os delegados consigam, nas próximas sessões, elaborar novas resoluções acerca dos assuntos propostos na Agenda. Além disso, serão divulgados, no segundo dia de debates, os resultados acerca da investigação promovida pelas famílias das vítimas - que foi, inclusive, apoiada pela delegada da União Soviética na última sessão -, revivendo intensas emoções no comitê.


Por Fernanda Boeira Vargas e Mariana Mendes

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